A Odisseia do melhor do mundo

Vanderlei

Foto: Lucas Baptista/Estadão

Para muitos, diante do Atlético-MG, na última quarta-feira, 12, o goleiro santista Vanderlei finalmente carimbou sua chance na Seleção Brasileira, talvez até para Tite. Mas para mim o que Vanderlei provou em sua saga de Belo Horizonte, com o perdão do trocadilho, foi algo que vai muito além disso.

Quando foi contratado do Coritiba para o Santos, Vanderlei já era um dos melhores goleiros do Brasil e ali já tinha nível para chegar à Seleção. É só olhar para nomes que frequentaram a lista nos últimos tempos, como Danilo Fernandes, Muralha, Weverton e até mesmo Alisson. Mas sua discrição, até mesmo no que se diz respeito ao seu estilo técnico, jogou contra si.

Vanderlei nunca foi um goleiro espalhafatoso. Com movimentos simples ele consegue fazer defesas que muitos não conseguiriam executar. Não bastasse isso, seu jogo quase não tem buracos: não sai mal do gol, tem boa técnica com os pés, é rápido e esguio, não comete falhas absurdas (aliás, alguém lembra de um peru do Vanderlei?).

Claro, para não dizer que tudo era simplesmente fenomenal, eu não considerava o arqueiro um grande pegador de pênaltis, algo que convenhamos chama a atenção da grande mídia.

Existem duas grandes mentiras no futebol: a primeira é avaliar um zagueiro sob o seu retrospecto ofensivo (fulano é ótimo, marcou não sei quantos gols de cabeça), e outro é avaliar um goleiro apontando o número de penais defendidos por ele. Todos sabemos que um grande goleiro tem de ir muito além disso.

Mas não é que até neste aspecto o guardador da meta alvinegra melhorou? Só nesse primeiro terço de Campeonato Brasileiro foram três tiros defendidos.

Acredite, eu falo no nome do Vanderlei como melhor goleiro do Brasil há muito mais tempo do que vocês podem imaginar. Falo inclusive que ele é o melhor goleiro que eu já vi jogar no meu time (tenho 28 anos, vi Edinho, Zetti, Carlos Germano, Fábio Costa, Rafael e muitos outros). Mas agora eu resolvi mudar o discurso.

Não pense você que é pela evolução de Van der Lei, o Holandês Voador (apelido carinhoso dado por seu companheiro de desde a época do Coxa, Victor Ferraz) nas cobranças de pênaltis. Mas simplesmente por um ato heroico, a ponto de permanecer no jogo mesmo tendo duas lesões sérias e chorando de dor.

Hoje, Vanderlei não é apenas o melhor goleiro do Brasil, ele é o melhor goleiro do mundo. O que ele deve para Neuer (que aliás vem de temporadas abaixo do que já foi), De Gea, Cortouis, Cech, Navas, Ter Stegen, Leno e Buffon? No meu ver, absolutamente nada.

Imagino que muitos estão agora me chamando de louco ou clubista, assim como diziam quando eu defendia Vanderlei na Seleção há duas temporadas atrás. Mas continue assim, devagarinho, com toda sua discrição, calando-os, meu goleiro.