Nossa arbitragem de cada dia

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Apita o juiz! É o fim de mais uma rodada do Brasileirão e o recomeço de um assunto interminável: os erros, cada vez mais contínuos, dos árbitros brasileiros. Cruzeiro e São Paulo, as duas melhores equipes do campeonato até o momento, têm motivos plausíveis para reclamar. Assim como as outras 18. Porém, não há critério e, tampouco, provas para transpor os sorrateiros argumentos de possíveis “ajudas de terceiros” para a obtenção dos resultados em campo. Sejam eles positivos e, principalmente, negativos. Entendo que o erro não se dá pela cor da camisa, pela importância de tal clube, mas sim pela fragilidade na qual encontra-se a profissão do árbitro no Brasil, que sucumbe à cada nova falha. À cada novo descaso.

O mais engraçado é que o assunto cai na vala comum do achismo e levantamento de teorias da conspiração. Principalmente quando abordado nas mesas redondas de domingo à noite, ou nos tradicionais programas sensacionalistas da hora do almoço. A pauta não sai do erro em si. Poucos são aqueles que enumeram soluções para o problema principal. A tônica é, basicamente, chamar a atenção para quem está sendo mais prejudicado durante o certame, não para quem é a causa.

Só na última rodada, três lances saltaram aos olhos. No sábado, na vitória do Flu sobre o Verdão, Wagner cruzou e Renato cortou, tendo a bola rebatido em sua mão. O juiz, rapidamente, assinalou pênalti, convertido, em seguida, por Fred. Na mesma partida, um lance idêntico, só que, desta vez, a favor da equipe paulista, não foi marcado, gerando polêmica.

No Morumbi, onde o São Paulo reacendeu a disputa pelo título após bater o ainda líder Cruzeiro, Dedé cometeu falta em Ganso dentro da área e não foi expulso, mesmo já estando amarelado. Muito se questionou a atitude de Leandro Vuaden, que não expulsou o zagueiro celeste. Mesmo com a vitória, o presidente são-paulino, Carlos Miguel Aidar, fez questão de emitir uma nota no site oficial do clube dizendo que estão favorecendo a Raposa.

Ainda no domingo, o gol irregular de Wallace, que deu os três pontos ao Flamengo sobre o Corinthians, acentuou novamente a discussão em torno das falhas e critérios utilizados pelo “Senhores do Apito”. Além disso, Eduardo da Silva poderia ter colocado mais um gol na conta de Sandro Meira Ricci e sua turma, caso não tivesse desperdiçado uma cobrança de pênalti que não existiu.

Por falar em Ricci, é espantoso seu desempenho pós-copa. Bastou voltar o Brasileirão para voltar ao normal. Para virar “mais um a errar”. No Mundial, ele foi bem, trazendo certo alento a uma classe que clama por mudanças que visem a profissionalização. Significativas ao ponto de ultrapassarem a superficialidade dos que acham que apenas o auxílio eletrônico resolveria todo o problema.

Enquanto isso, tenho a impressão que estamos nos acostumando a conviver com erros que parecem cada vez mais normais. Afinal, que graça teria o futebol sem uma polêmica, não é mesmo?