Confiamos em Mattos

mattos

Felipe Oliveira, nosso grande amigo futebotequeiro, escreveu que Valdívia não cabe mais no atual Palmeiras. Concordo em partes. O Mago que conhecemos fora dos campos, realmente não cabe. Sua atitude é totalmente antiprofissional. Não se cuida, adora uma noite e um Pisco Sour.

Tal comportamento não gera, mas colabora, e muito, para as frequentes ausências. Com isso, o camisa 10 gerou uma divisão de sentimentos nos palmeirenses. Muitos o idolatram, outros o odeiam. Vários querem que ele renove, outros tantos querem aproveitar a oportunidade e despacha-lo.

Isso tudo me faz chegar a uma conclusão: o chileno não cabe mais no clube Palmeiras. Explico. Administrativamente falando, o Palmeiras se tornou profissional. Havia engatinhado tal estilo de gestão com a eleição de Nobre, mas a escolha por Brunoro para o futebol não surtiu o efeito desejado. A chegada de Mattos transformou o Palmeiras em um clube sério, profissional, respeito e que se respeita.

A entrevista coletiva que deu após o jogo de sábado foi ridícula, caso quisesse cobrar algo da diretoria, fizesse-o internamente. E ainda estava sem razão em suas palavras, uma vez que hoje foi noticiado que seu pai, que atua também como empresário, já tinha uma proposta de renovação em mãos.

Porém, no atual padrão do futebol brasileiro, Valdivia joga de terno. É, quando está em campo, um dos melhores meias do país. Os números não mentem. O chefe do departamento médico do Palmeiras participou de apenas 17 partidas no Campeonato Brasileiro de 2014, menos que um turno, ainda assim acumula números expressivos.

Com Valdivia em campo, o Palmeiras conquistou aproximadamente 57% dos pontos disputados. Sem o armador, foram cerca de 30%. Obviamente, o fraco elenco colaborou para essa dependência. Mas os números vão além. Foram 54 desarmes certos, o que representa 84.4% das tentativas. Durante as poucas partidas que fez, Valdivia acertou 88% dos dribles que tentou.

O meia ainda deu seis assistências para gol e 49 passes para finalizações. Nos passes em geral, foram 565 efetuados de forma correta, contra 131 errados. O jogador ainda recebeu 66 faltas durante o Brasileirão. Os índices negativos ficam a cargo dos cruzamentos, quando ele errou 63% das vezes que tentou, as finalizações, com 66% de índice de erro, e lançamentos com 60% deles efetuados de forma errônea.

Portanto, dentro do time de futebol, Valdivia cabe, mesmo após Robinho surpreender e a volta de Cleiton Xavier. Oswaldo também já indicou que pretende usa-lo. Um elenco foi montado, como pediu o chileno, para que não dependêssemos dele. Eu defendo que, dependendo dos valores do contrato, o contrato seja renovado. Também acredito que seja necessário um trabalho físico diferenciado, sem que ele jogue todas as partidas.

Mas o mais importante de tudo isso é que seja qual for a decisão de Mattos, nós confiamos e isso basta.