Já começou muito mal

(Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

(Foto: Rubens Chiri / saopaulofc.net)

Quase vomitei assistindo a entrevista de apresentação do novo reforço são-paulino, Wesley. Primeiro porque ao longo de sua passagem pelo Palmeiras eu fui pegando nojo da sua figura mesmo, afinal não me faltaram motivos. Mas o momento em que quase pus tudo para fora foi quando ele afirmou que havia fechado com o time tricolor após o fim do Campeonato Brasileiro de 2014.

Até a minha avó palmeirense, que mal acompanha futebol, sabia que ele já estava acertado com o São Paulo há muito mais tempo do que isso. E no final das contas, de quem será que foi a infeliz decisão de esconder a existência de um pré-contrato quando ele de fato foi assinado?

Tentando fazer uma análise do caso e até mesmo entender o porquê desse teatro todo, logo me veio à cabeça as negociações dos jogadores Götze e Lewandowski. Ambos pertenciam ao Borussia Dortmund e ambos assinaram pré-contratos com o Bayern de Munique seis meses antes das suas transferências. Assim que eles assinaram, o Bayern imediatamente comunicou a imprensa.

Ou seja, os jogadores atuaram mais seis meses pelo time amarelo, quando todos, inclusive os seus torcedores, sabiam que eles fatalmente sairiam para um dos seus maiores rivais ao fim da temporada. Com exceção da decisão da Champions League de 2013, quando Götze não jogou a partida diante do Bayern (até para se evitar dúvidas em relação ao seu desempenho), eles atuaram em todos os jogos em que foram escalados e nunca foi colocado em dúvida o profissionalismo de ambos.

Talvez a negativa de Wesley tenha sido uma imposição do próprio São Paulo. Tudo bem que o time tricolor queira se desprender da fama de aliciador. Mas este não é um caso para poder se provar isso. Qualquer clube pode conversar com qualquer jogador, inclusive assinar um pré-contrato (como foi feito), quando este tem menos de seis meses de tempo de vínculo com outra agremiação, sendo ela rival ou não. É legítimo!

Ou talvez o próprio volante tenha pedido para que o Tricolor não externasse a notícia, numa tentativa frustrada de se defender daqueles que o acusaram veementemente no ano passado. Para o leitor que não acompanhou o caso, Wesley vem sendo acusado por grande parte da torcida palmeirense de deixar de se empenhar em campo desde que o acerto com o time da Vila Sônia foi externado de forma não-oficial.

Quem quer que tenha tomado essa decisão de esconder o que até a minha vovozinha sabe cometeu um grave equívoco neste processo todo. O jogador, que embora tenha assinado com um grande clube e vá receber muita grana para o seu futebol mediano (dizem que receberá R$ 350 mil mensais), ficou taxado como anti-profissional e isso é péssimo para a sua imagem. E o São Paulo não diminuiu nem um pouco a sua fama de aliciador, pelo contrário, pois perdeu mais uma vez a chance de ser transparente.