Impressões de uma quarta-feira de Libertadores

Na semana passada, após a bela estreia do Corinthians na Libertadores, nosso célebre colunista Rodolfo Gomes foi impiedoso ao colocar o mal desempenho do São Paulo na conta de Muricy Ramalho. De minha parte, fui menos taxativo. Naquela oportunidade, o comandante tricolor não tinha Pato, nem Centurión – dois nomes que cumprem a função de segundo atacante veloz, coisa que Muricy sempre considerou indispensável. Resultado: Kardec e Luís Fabiano formaram um ataque estático. Era um fracasso anunciado, mas não havia outra opção.

No entanto, Rodolfo tinha razão, pelo menos no que diz respeito aos três volantes são-paulinos. Hoje, a ótima partida do time do Morumbi contra o Danubio foi prova disso.

Muricy não inventou. Deixou Reinaldo e Bruno subirem pelas laterais e, assim, conseguiu três dos quatro gols do jogo. Além disso, com Michel Bastos no meio, o técnico refez uma das peças que melhor funcionaram na engrenagem tricolor em 2014. Os gritos do treinador ao longo da partida, pedindo para que a bola passasse pelo pé do camisa 7, mostram que aí não se mexe mais.

A questão é: até que ponto o excelente rendimento do São Paulo nos últimos dois jogos se deve à fraqueza de seus adversários? Em outras palavras: seriam Reinaldo e Bruno capazes de repetir a boa atuação de hoje contra o Corinthians de Tite?

Por ora, é difícil dizer. A única certeza é que o Tricolor goleou e conseguiu algo que não era nada fácil: restaurar a moral da tropa, após um balde de água fria. Agora, a vitória contra o San Lorenzo é fundamental para garantir a classificação em um grupo que tem grandes chances de ser liderado pelo maior rival.

Resta, também, saber ao certo o que Muricy quis dizer ao afirmar na coletiva pós-jogo que a imprensa plantou boatos no elenco (sobretudo no que diz respeito a Ganso).

De todo modo, os Paulistas seguem fazendo parte do rol de favoritos ao título continental, principalmente depois que Dória pintou na defesa são-paulina. Quanto aos mineiros, o diagnóstico é mais difícil. O Galo começou bem mal, e pode se complicar feio a depender do resultado contra o Santa Fé. Já o Cruzeiro, menos badalado após o desmanche de ano-novo, saiu de Sucre com um pontinho na bagagem e tem tudo para se classificar em primeiro. Se tivesse que apostar, diria que Marcelo Oliveira terminará o campeonato mais feliz do que Levir Culpi.

Afora São Paulo, Corinthians e Cruzeiro, dois outros gigantes também despontam nessa briga; e eles já eram previstos: Racing e Boca Juniors. O primeiro, atual campeão argentino, tem – de longe – o melhor desempenho no torneio até agora. A falta de peças de reposição pode trair o otimismo, mas a enorme vontade dos jogadores pode superá-la. O mesmo vale para a temida equipe de La Bombonera. Com uma boa vitória na primeira rodada, Los bosteros mostraramm que Palacios e Osvaldo foram ótimas contratações e já deixaram claro que vão brigar pelo título.

Nesse bolo, as decepções ainda ficam por conta de River Plate e Internacional – dois clubes que tem dois dos melhores elencos do continente. Felizmente, ambos têm a desculpa da estreia e a torcida dos amantes do futebol sulamericano, que querem ver a Libertadores pegar fogo.

No fim, uma certeza: esse será um campeonato dos peixes-grandes. Se a final do ano passado contou com torcidas para quem a taça era uma novidade, em 2015 já parece certo que o caneco vai pra alguma sala conhecida.