O futebol salvou a Copa do Mundo

Antes do esperado 12 de junho escrevi um texto falando sobre as coincidências que cercavam o Mundial. Algumas delas trágicas, como a morte de profissionais consagrados da mídia esportiva, que trabalhariam no evento.

Comentei sobre a atmosfera diferente que pairava no ar desde o anúncio do país como sede, em meados de 2007, até os desmandos políticos, que efervesciam e afastavam a população, às vésperas do apito inicial.

Tudo era muito errado. Muito estranho.

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Quase um mês depois que a Brazuca passou a rolar solta nos gramados tupiniquins, volto com aquela cara de quem comeu, gostou e quer de novo. De quem quer Copa de novo. Se possível, todo ano.

Estava temeroso. Afinal, o terrorismo feito por nós e pelo mundo, com muita razão em algumas partes, mas também com muito sensacionalismo exacerbado, em outras, dava conta, com todos os argumentos, que essa seria uma das piores Copas de todos os tempos.

Ledo engano. Pois cometeram um erro grave, se esquecendo de alguém importante. Imponente. Principal. Protagonista. Do futebol.

Do futebol bem jogado, aquele que salvou o nosso Mundial. Salvou a nossa imagem. Salvou, quiçá, a nossa moral. Nos fazendo refletir e pensar se “tudo no Brasil é realmente uma porcaria”. E, se ele, é mesmo o ópio do povo. O pão e circo, como muitos ainda insistem em dizer por aí.

Clamo para que os oportunistas de plantão não usem o sucesso futebolístico do torneio como manobra de discurso na hora de se eleger, em um outubro que se aproxima. Que o povo tenha discernimento e sabedoria em suas escolhas, e saiba balancear corretamente tudo de positivo e negativo que estamos vivendo nesse aguardado e histórico 2014.

Acabaram as oitavas de final e a Copa das Copas encaminha-se para seus últimos momentos. Momentos que, certamente, serão marcantes e inesquecíveis. Como todos vividos em nossos quintais até então.

A Copa dos gols, dos goleiros, das viradas, das surpresas, das festas e dos jogos para sempre vem provando ser também a Copa do equilíbrio. Até porque, não há favoritos. Não há prognósticos. Tampouco análises ou previsões. E esse é o fator que a torna cada dia mais espetacular.

Sinceramente, já estou com saudades de tudo isso. De toda essa atmosfera. De todo esse clima. De toda essa gente. Gente de todas as cores, lugares, jeitos e credos. Gente do futebol.

Do único único esporte capaz de fazer o mundo todo falar uma mesma língua: gol.

*Originalmente postado no Ferozes Futebol Clube e adaptado ao Futeboteco.