Boteco da Champions: As Chuteiras Abertas da América Latina

Apesar das eliminações de Flamengo, Botafogo e Atlético Paranaense, o que se vê nos últimos ano é uma hegemonia brasileira na Libertadores. No entanto, o leitor que tem mais de 20 anos deve se lembrar que os times argentinos eram muito mais temidos e papavam todas as taças do torneio. Muito por conta da garra, da catimba, da pressão da torcida e por fazer tudo que era possível dentro de campo para vencer.

Das arquibancadas saiu o combustível necessário. Crédito: Colchonero.com

Das arquibancadas saiu o combustível necessário. Crédito: Colchonero.com

Assim é o Atlético de Madrid: uma equipe de Libertadores, com muita garra, possui sim, mas que nem por isso deixa de praticar o bom futebol. Aquela velha história da vontade de comer. Da gana. Seu adversário, o Barcelona, joga na base das suas qualidades técnicas.  E também por isso sucumbiu.

Hoje, não teve grito de gol na vizinhança, mas confesso: dei aquela risadinha irônica quando saíram os gols do tricolor espanhol. Aquela tarde só não foi perfeita porque o Bayern passou, e, se o Felipe me permite o palpite, só passou por mudar seu estilo, sair do toque e ser mais agressivo.

Voltando a Madrid, o Vicente Calderón, estádio dos colchoneros, vibrava, pulsava, tremia como a mística Bombonera. A torcida faltou apenas entrar em campo ou lançar os tradicionais rolos de papel higiênico. E nesse espírito que Simeone preparou seu time.

Não deu outra. Ainda bem que existe o Atlético. Ótimo que tenha Simeone. Perfeito que tenham parado o “tic-tac”. Locupleto-me com o fato de existir uma equipe tradicional, com desejo de gigante, que jogue a Champions como uma Libertadores: doando o sangue.

 

*Sempre que puder, Renan Rodrigues, além de roubar a bola de Felipe Oliveira, no “Boteco da Champions”, fará o mesmo com Gabriel Lima, em “As Chuteiras Abertas da América Latina”. Hoje, ele foi fominha e desarmou os dois.